Estupidologia s. f. - Ciência que estuda a auto-repressão voluntaria da razão e dos sentimentos; interesse pragmatico-investigativo pelos non-sense da vida em colectividade; teoria matemática que defende existir uma relação de proporção directa entre a sensação de felicidade e a acção de mecanismos primários do homem; designação do maior, mais antigo e poderoso lobbie do mundo; empresa familiar de farturas; nome de um blog

quinta-feira

Informações avulsas que o mundo agradece

Há dois tipos de pessoas no mundo. As pessoas que vão ao messenger e as pessoas que não vão ao messenger.

Dentro das que não vão, há dois tipos de pessoas. As que usam o nome como nick e as que não usam o nome como nick.

Dentro das que não usam o nome como nick, há dois tipos de pessoas. As que criam um nome fictício que usam sempre e as que divulgam ao mundo aspectos da esfera pessoal.

Dentro das pessoas que divulgam ao mundo aspectos da esfera pessoal, há dois tipos de pessoa.As que enunciam a efectivação operacional de coisas e as que anunciam que se sente coisas.

Dentro das que enunciam que se sente coisas, há dois tipos de pessoa. As que adoram coisas e as que detestam coisas.

Dentro das que odeiam coisas, há dois tipos de pessoas. As que odeiam circunstâncias que lhes causam transtorno e as que odeiam itens de cariz orgânico.

É neste âmago que surgem os mais incontornáveis nicks da História.

Preconceitos filosóficos

"Diga não à depressão". Eis o título da mais recente revista comercial d'O Celeiro.

Trata-se de uma capa cujas ondas de choque poderão criar fissuras profundas na cultura dominante. Isto porque há pessoas que dizem "é capaz" à depressão. Ai é? A revista vem partir a loiça toda e defender que se diga "não".

Soa-me a ruptura conceptual...

quarta-feira

Momento techno

Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again. Tum-ts. Tum-ts. Do it again.

Como fazer uma notícia sobre declarações polémicas


Passou-se isto assim e assim
“E isto e aquilo”
Foi de forma assim e assado que Fulano de Tal se referiu ao assunto x.

Fulano de Tal voltou a referir-se em tal dia, em tal sítio ao assunto x. “E isto e aquilo”, afirmou de modo coiso.
Depois de confrontado pelos jornalistas à saída do evento y com o teor das declarações do Fulano de Tal, Beltrano, do organismo x, reagiu com indignação. “’E isto e aquilo’, o caraças”, afirmou.
Cicrano, assessor de Beltrano, acrescentaria x horas depois, em comunicado: “ ‘E isto e aquilo o caraças’ na medida em que não sei quê e não sei que mais”.
O comentador Coiso, no programa x do canal tal, procurou encontrar possíveis explicações para as declarações de Fulano de Tal: “ou a afirmação foi feita por causa de coisas, ou por causa de cenas, ou por causa de situações”, anuiu e acrescentou: "É preciso ver".
As declarações de Fulano de Tal surgem numa altura em que faz x dias que ocorreu o episódio tal.

terça-feira

As composições escolares da Mia

A vaca

"A vaca dá leite.
Eu gosto de leite.
A vaca tem manchas e é bonita.
A vaca faz muuu.
Eu gosto muito da vaca."

Mia

quarta-feira

Bo manera


Curtir? Desbundar? Não. Quando saio à noite, procuro sempre por sítios onde se grife bastante. “Olhe, desculpe, o que é que se faz aqui?”, pergunto sempre aos porteiros das escutecas. E eles respondem: “aqui curte-se”. É óbvio que não entro. “E aqui nesta?”, pergunto a outros. “Desbunda-se”. Também não merecem a minha atenção.

Mas locais há em que me dizem: “aqui grifa-se”. É nesses momentos que me pronuncio com a autoridade, a peremptoriedade e os ares de enfado de quem é 'connaisseur': “ah, bom: estava a ver que não”.

São momentos ‘gourmet’ na 'movida' lisboeta.

segunda-feira

No limiar da perfeição


Verão.
Madrugada.
Silêncio.

A brisa morna sussurrava ao descampado uma batida longínqua tipo Papi Chulo.

Foi então que parei, fitei os céus e pensei para comigo mesmo: obrigado, Senhor, pela grande dádiva que é a vida.

sexta-feira

Flexibilidade, esse benefício



Fertagus: "Descomplicamos a sua vida"


Depois da extraordinária implementação do Lisboa Viva na Fertagus, não há dia em que não me recline no sofá, ponha as mãos atrás da nuca e esboce um sorrir confiante, como quem pensa "ahhh!, a Fertagus descomplica a valer a minha vida". Obrigado Fertagus.

- Obrigado por não me deixarem alterar o tipo de passe combinado nos últimos dias do meu passe, sem perder o carregamento actual. Assim sim, beneficio de flexibilidade.

Útil. Isto sim é descomplicar.

- Obrigado por me tornarem refém da renovação automática após os 30 dias. Se desejar que os meus 30 dias comecem a cada mês quando me for conveniente, não o posso fazer.

Pertinente. Isto sim é descomplicar.

- Obrigado por disponibilizarem funcionários esclarecedores, sempre com aquele sorriso anúncio de hipermercado. Transparentes. Honestos. Francos. "Posso comprar cada 30 dias a começar nas datas que eu quiser?". Resposta: "Sim". Em vez do "sim, no primeiro carregamento, sim, há essa flexibilidade. Depois - meu caro...".

Conveniente. Isto sim é descomplicar.

- Obrigado por desevoluirem. Antigamente, havia máquinas rápidas e fiáveis que permitiam fugir às filas. Agora, não há máquinas nem para fugir às filas nem para evitar ter que ir mais cedo à estação para adquirir novo carregamento. Agora, ou vamos para a fila no próprio dia, ou vamos para a bicha no próprio dia.

Confortável. Isto sim é descomplicar.

- Obrigado por me obrigarem a ter a carteira cheia de lixo. Deixei de ter senha mas passei a ter uma papeleta que comprova comprovativamente a comprovação comprovada de que o meu Lisboa Vida está correctamente carregado.

Prático. Isto sim, é descomplicar.


Ele não há dia em que não pense: "raios, ainda bem que beneficio beneficamente deste universo Fertagus, feito de tantos e tão benéficos benefícios".

quinta-feira

"Na Estónia não"

Estou em crer que o Eusébio é contra a droga em geral. No entanto, no site d'A Bola, apareceu uma notícia com este título: "Eusébio diz não à droga na Estónia".

Noutros países? Tudo bem, droga. Mas na Estónia, não se deve.

Por isso, por favor, quando se drogarem tenham ao menos a hombridade de se faz favor não ir para a Estónia estorvar...

quarta-feira

O corpo precisa de líquidos, logo, o corpo precisa de?

Refrigerante.

Como pessoa culta que sou, leio sempre a Certa. E porquê? A Vips não leio porque não gosto de coisas vips. A Lux não leio porque não gosto de coisas luxuosas. Mas a Certa já leio porque gosto de coisas certas.

Para além do rigor científico da revista, gosto dela porque tem o poder de me sensibilizar para coisas. Sensibiliza-me para os benefícios do duche - afinal é importante lavarmo-nos. Sensibiliza-me para como manter as praias limpas - sublinhado para o truque "não deitar lixo para o chão". E sensibiliza-me para a importância dos refrigerantes.

Guarda-sol? Importante. Protector solar? Importante. Reciclar? Importante. Cremes pré-pré-pós-pré-pós banho? Importante. Refrigerantes? É adivinhar.

Diz o espectacular artigo "Venha refrescar-se!" que, "gaseificados ou não, os refrigerantes contribuem para o bem-estar do organismo".

Tomados de assalto pela curiosidade, lemos o texto com a avidez intelectual de quem persegue uma explicação, que é brilhante.

"Os refrigerantes contribuem para o bem-estar do organismo, uma vez que satisfazem a necessidade diária de líquidos no corpo".

Daqui tirei uma conclusão. Tudo quanto satisfaça a necessidade diária de líquidos no corpo contribui para o bem-estar do nosso organismo. É uma regra. É uma lei. É um teorema. Vem na Certa.

Há uma necessidade diária que nós temos e os refrigerantes existem para nos ajudar - obrigado, refrigerantes. Isto foi como que se uma luz celestial se tivesse abatido sobre mim. Foi como se tivesse ouvido uma voz dos altos céus ecoando em tom pedagógico: "Vês?".

No fundo do interior das profundezas lá-onde-habita-o-meu-ser, sabia que o refrigerante tinha que fazer bem a alguma coisa. E isso fez-me evoluir e tomar consciência de coisas: entre o "eu" pré-leitura e o "eu" pós-leitura, há uma diferença significativa. Agora - agora sim! - sou uma pessoa mais sábia, uma pessoa mais instruída, uma pessoa, seguramente, mais sensibilizada para a necessidade de tomarmos refrigerantes porque contribuem para coisas, coisas essas, por sinal, do âmbito do muita bom para a saúdinha.

O texto pode ter - tudo bem - muitos méritos. Mas não queria deixar de passar em branco a relevância de algumas questões metafísicas, encerradas na seguinte frase:

"os refrigerantes são a bebida ideal para - como o nome indica - refrescar".

A expressão "como o nome indica" faz pensar. Se os refrigerantes refrescam, os refrescos fazem o quê? Então o nome não indica? E qual é o sentido da vida do refresco? Que lugar no mundo? Que papel? E isto depois vai por aí fora: e o refrigerante? Não refrigera? E se refrigera, como fica o ar condicionado no meio disto tudo?

E todo um caminho por desbravar no domínio do aparvalhamento.

terça-feira

A importância de chamar amor ao nosso amor

É importante chamar sempre amor ao nosso amor. Tudo para que o nosso amor saiba que há ali um nutrir. Chamas amor? És uma pessoa que nutre. Não chamas amor? És uma pessoa que não nutre.

Quando não se chama amor é porque não se ama. É porque há ali um reprimir de um sentimento que é bonito.

Mandar o teu amor calar-se, acompanhado de um revirar de olhos e de um "foda-se" mental cerca de setessentas vezes por dia? Escapa. Isso, sem chamar amor? É grave: cria a suspeita de que o sentimento não reside no âmago das profundezas do nosso ser.

É como quando respiramos. Se antes de cada inspiração não dissermos “preciso de recolher um poucochinho de oxigénio de modo a assegurar que as minhas células produzam energia para manter o meu metabolismo funcional”, estamos a levantar uma suspeita. Se calhar, não precisamos nada de recolher um poucochinho de oxigénio de modo a assegurar que as nossas células produzam energia para manter o metabolismo funcional e existencialmente viável.

Quando dizemos aos outros, somos sinceros. Quando não dizemos, estamos a escamotear. Devemos sempre dizer porque dizer é sentir coisas. Não dizer é não sentir coisas.

No fundo é isto.

quinta-feira

História da Terra

Pré-Câmbrico
Evento relevante: Surgimento da vida

Paleozóico
Evento relevante: extinção das trilobites

Jurássico
Evento relevante: África e América separam-se

Cretácico
Evento relevante: Extinção dos dinossauros

Terciário
Evento relevante: Deriva dos continentes

Quaternário
Evento relevante: Aparecimento do homo-sapiens

[Nova fase da História da Terra]
Evento relevante: Simão no Atlético

sexta-feira

Valor-notícia

Foi inaugurada uma nova igreja no conselho do Seixal. Logo no primeiro parágrafo, a abrir, diz o boletim municipal:

"O novo templo católico de Amora é o primeiro da Europa devoto ao pai dos migrantes e apóstulo da catequese, fundador das congregações dos missionários e missionárias de S.Carlos".

Podiamos já estar a pensar que se trataria de uma igreja comum, vulgar, igual a tantas outras, sem qualquer tipo de originalidade, mas não. Meus amigos, trata-se da primeira da Europa - a primeira - devota ao pai dos migrantes, apóstulo da catequese e fundador das congregações dos missionários e missionárias de S.Carlos.

Não é só uma igreja nova que abre. Não. É uma igreja, sim, nova, sim, que abre, sim, mas que tem a espectacular diferença de ter um nome único na Europa. Quem me dera ter um nome único na Europa.
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