Estupidologia s. f. - Ciência que estuda a auto-repressão voluntaria da razão e dos sentimentos; interesse pragmatico-investigativo pelos non-sense da vida em colectividade; teoria matemática que defende existir uma relação de proporção directa entre a sensação de felicidade e a acção de mecanismos primários do homem; designação do maior, mais antigo e poderoso lobbie do mundo; empresa familiar de farturas; nome de um blog

segunda-feira

Enterrar e enterrar-se

Uma empresa de crédito tem anunciado um evento de verão, sobretudo em outdoors, dos quais consta uma pessoa enterrada na areia da praia e a sorrir.

Tenho para mim que os criativos foram uma espécie de jornalistas portugueses antes do 25 de Abril: arranjaram uma maneira original de dizer o que pensavam. É que uma instituição de crédito pagou a alguém para divulgar a sua imagem associada a pessoas enterradas.

Quando qualquer pessoa se depara com um cartaz de uma instituição de crédito do qual consta uma pessoa enterrada na areia da praia e a sorrir, é logo um pensar: "Olha que isto de estar enterrado é capaz de ser bom".


sexta-feira

Espectacular

Cidade da margem sul

Do deserto para o Mundo



Como não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, não há centros de estágios de clubes de outros países, os autóctones migram e partilham-se com a humanidade


Luís Figo Luis Filipe Madeira Caeiro Figo nasceu em 4 de novembro de 1972. Figo cresceu no seio de uma família humilde do deserto. O futebolista começou a jogar pela primeira vez no União Futebol Clube "Os Pastilhas", um clube de bairro da freguesia Cova da Piedade. Pouco tempo depois, passou do deserto para a relva e foi jogar para o Sporting Clube de Portugal, clube que anos mais tarde percebeu a importância do deserto para formar jogadores e criou lá um centro de estágios.

Manuel Maria de Barbosa l´Hedois Du Bocage nasceu em Setúbal a 15 de Setembro de 1765. A sua infância foi infeliz. O pai foi preso por dívidas ao Estado quando ele tinha seis anos. A mãe faleceu quando tinha dez. O poeta teve uma vida deserta de afectos. Possivelmente ferido por um amor não correspondido, assentou praça como voluntário em 1781 e permaneceu no Exército até 1783, data em que foi admitido na Escola da Marinha Real. No final do curso desertou. Influências da infância.

Rui Unas nasceu a 23 de Fevereiro de 1974. Cresceu na zona da Amora, sendo o seu clube preferido o Centro Desportivo, Cultural e Recreativo das Paivas, local onde decorrem actualmente diversos campeonatos de malha. A malha é um desporto que exige grandes superfícies áridas pelo que é o desporto de eleição na margem sul. Unas estudou na Escola Secundária Manuel Cargaleiro, escola que ganhou o nome do pintor. Actualmente, é apresentador de televisão.

Manuel Cargaleiro nasceu em Chão das Servas, 16 de Março de 1927. Pintor e ceramista, vive desde criança na margem sul nos concelhos de Almada e Seixal. Cargaleiro bebeu influências da região. Talvez por habitar no único deserto do mundo atravessado por um comboio sub-urbano procedente de Coina com destino a Roma-Areeiro, executou os mais diversos painéis cerâmicos em estações de metro, não só no estrangeiro como em Lisboa. Sempre que forem ao Colombo, já sabem. No Colégio Militar/Luz, a vossa vista é brindada pela artesania de um habitante do deserto.

Luís Boa Morte nasceu em Lisboa, 4 de Agosto de 1977. O futebolista que viveu na Arrentela joga actualmente no West Ham e faz parte da Selecção Portuguesa presente no Mundial de 2006. Teve inclusivamente direito a uma parede na marginal do Seixal a dizer "Arrentela apoia Boa Morte". Lá no deserto aquilo há muito jogador da bola a ir à selecção.

Luísa de Aguiar Todi nasceu em Setúbal a 9 de Janeiro de 1753, na actual rua da Brasileira. É fascinante mas é verdade: o deserto tem ruas. Depois de ter abraçado a carreira artística – primeiro, como actriz e, mais tarde, como cantora lírica -, passou por Londres, Paris, Berlim, Turim, Varsóvia, Veneza, Viena ou São Petersburgo. Foram algumas das cidades por onde Luísa Todi passou largas temporadas, alcançando consideráveis êxitos que nunca poderia obter num deserto sem pessoas. Nem comércio. Nem hoteis.

segunda-feira

Porque faz falta um post grande de vez em quando



U-u,
iá-iá,
faz-faz,
duh-duh.

U-u,
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U-u,
iá-iá,
faz-faz,
duh-duh.

São dialectos lá-deles.

segunda-feira

Poema

Não pares agora que agora está bom
não pares agora que eu estou a gostar
não pares agora, tira-me o baton
e se for com juizinho podes continuar


Cristiana, artista popular

quinta-feira

Hmm...



Por que será que os funcionários da EMEL são tão adeptos do óculo escuro?

segunda-feira

Orachão a chalajar



Salazar,

tem-se dito muita coisa injusta acerca do teu recente reconhecimento público. Que és sinónimo de inutilidade. Que és sinónimo de inflexibilidade. Que és sinónimo de cinzentismo. O que é certo é que ganhaste, o que me leva a extraír algumas conclusões.

1.És um útil. Muita manteiguinha tenho eu espalhado, muitas formas para bolos tenho eu untado, tudo graças a ti; no fundo, és um útil porque sem ti, a pastelaria doméstica e tradicional não seria a mesma. Quem estuda a História da pastelaria doméstica e tradicional sabe que há um período antes de salazar e depois de salazar. És a entrada para a união europeia da pastelaria doméstica e tradicional.


Fig.1 - Salazar branco e salazar azul

2. És um flexível. A tua extremidade é feita de uma borracha semi-rígida que se adapta às bem às paredes das formas. Se fosses monolítico como dizem, eu preferiria usar antes uma colher; no fundo, és um querido porque facilitas as coisas. Manteiga? Venha. Chocolate? Venha. Creme de ovo? Venha. És inclusivo e plural.

3. És um cinzento sim, mas não só. Também és branco, preto, azul, ou transparente com motivos hortícolas. O motivo hortícola dá-te um ar agrícola. O transparente veste-te de gala.

Se me permites, salazar, uma quarta conclusão. Há muita gente em Portugal a perceber de utensílios de cozinha e que dá valor ao papel do salazar no âmbito da pastelaria doméstica e tradicional. A ponto de tomar a iniciativa de ligar para um número de valor acrescentado todas as semanas para manifestar que te valorizam, que não te esquecem, e que sabem que há mérito, que tens capacidades, capacidades essas focalizadas no raspar, um raspar que dá alegria às pessoas.

Dorme bem, e onde quer que estejas, lembra-te: serás sempre idolatrado por pessoas que simultaneamente gostam de pastelaria doméstica e tradicional, e que tomam a iniciativa de ligar para números de valor acrescentado todas as semanas para manifestar que tu estás lá.

quinta-feira

Vamos "aquemular"

As pessoas não têm noção mas a seguir aos dentífricos contra a erosão ácida, a coisa mais útil que existe no modo de vida ocidental são os cartões. Isso nota-se não só em toda a quantidade que avoluma a minha carteira como também na forma desprezista como seguro cada um deles no momento em que os uso.

Charme, estilo, cosmopolitanismo: prendo cada um deles entre o indicador e o médio enquanto ajeito os óculos escuros que costumo usar na cabeça e provoco um desnivelar de sobrancelhas, como que a enrugar levemente a testa.

O ritual é sempre o mesmo. "Tem o cartão XYZ?" Depois, vem o melhor. Faço um leve aceno confirmativo, abro a carteira, dedilho por entre os cartões, como quem diz "ora bem, procedamos a coisas", retiro do cartão, mostro-o, validam-mo - pi -, devolvem-mo, acondiciono-o, fecho a carteira, qual LAPD, e enfio-a no bolso. Meus senhores: estilo.

Porquê cartão? Por quatro razões. Porque cartão é dinamismo. Porque cartão é estatuto. Porque cartão é "tou sim?, agora não posso que estou aqui a tratar de assuntos". Porque cartão dá "facelidade" em coisas.

Sou uma pessoa que usufrui do benefício do Cartão. Cartão Minipreço, cartão Sprinfield, cartão Continente, cartão Galp, cartão Zara, cartão Repsol, cartão Fnac, cartão Decathlon, cartão Jumbo, cartão Blockbuster, cartão Casa dos Frangos de Moscavide.

E porquê? Porque os descontos é uma coisa que "aquemula". Vai "aquemulando", "aquemulando", "aquemulando" e depois ganho descontos em todos esses sítios onde passo uma percentagem substancial da minha vida.

Desfolhar



Ele é revistas. Ele é jornais. Ele é a lista telefónica. Muito "desfolham" os portugueses. Fico triste. Com tanta mulher bonita e.

terça-feira

Honoris Causa

"Foi criada uma secção no menú lateral denominada de "Estupidologia - Ouve Aqui" (...). A vossa sanidade mental não está salvaguardada. Mas ouçam à mesma."


Programa 1

Programa 2

Programa 3

Programa 4


Parecendo que não, promover a estupidologia enquanto paradigma estruturante do saber humano dá estatuto académico e, vá lá, uma certa vaidade. Quando uma pessoa anda sempre, como eu, com a maior das naturalidades, com a sua toga e traje preto, com um rolo de papiro enrolado na mão, as pessoas comentam "bzbz, olha, lá vai o estupidólogo, bzbz". Vêm ter comigo e pedem-me a opinião sobre coisas, mesmo que eu esteja com o cesto das compras no antebraço na secção das hortaliças.

A mim e não só. A um restrito conjunto de pessoas, todas elas acostumadas a andar de toga, de traje preto e com um rolo de papiro enrolado na mão, nas mais variadísimas situações de convivência, nomeadamente social.

António Marçal, Pedro Gabriel e Tiago Florêncio são estupidólogos incontornáveis porque conseguiram que um programa de rádio com o nome "estupidologia" existisse. Desculpem, há mérito. Se é já de si whatthefuckiano que alguém chame a um blogue "estupi..." coiso, muito menos a um programa de rádio. Era o que faltava agora levar o saber ás pessoas. Muito menos na parte da noite. Muito menos numa rádio. Já é incomodar.

Primeiro, na cadeira de Atelier de Rádio, na universidade, depois, pela região da Grande Lisboa onde o sinal 97.8 da Radar chegava, quais jardineiros, dedicaram-se à disseminação - cirúrigica - das sementes do saber estupidológico. Pedro Gabriel, no seu blog, faz-me recordar dos tempos de universidade e pós-universidade ao disponibilizar programas que andavam perdidos na minha memória...

quinta-feira

Post extremamente positivo

Hoje estou extremamente bem disposto. Tão bem disposto que até vou escrever a palavra yupi.

Confesso que, por instantes, houve uma ténue hesitação entre a palavra "yha" e o intemporal grito de Speedy Gonzalez "Anda-le, anda-le!, arriba, arriba".

Mas optei pela palavra yupi.

"Yha" é uma alegra para o abrutalhado. E a minha alegria de hoje não é para o abrutalhado. Já "anda-le, anda-le!, arriba, arriba" é uma alegria, também ela, de índole equestre, mas com um toque mexicano. A minha boa disposição de hoje não só não é de índole equestre como também não é, de todo, mexicana - embora eu tolere, com reservas, que seja servo-montenegrina, ali com um polvilhar de xiita.

Yupi sim, é uma opção semanticamente mais aproximada do meu estado de espírito. Yupi tem celebração, tem serenidade, tem ponderação, com a vantagem de fazer lembrar sobemesas lácteas da década de 80. Não é fácil encontrar palavras que traduzam o nosso estado de espírito e que ao mesmo tempo nos consigam fazer lembrar sobremesas lácteas do final da década de 80.

Yupi é uma palavra que não pára de surpreender. É que, mesmo do ponto de vista sintático, ela inclui um i grego no princípio e um i latino no fim, o que confere equilíbrio á forma, enquanto denuncia uma alegria que não ofende, balanceada, tolerante, no conteúdo.

E de maneiras que hoje estou extremamente bem disposto. Tão bem disposto que até vou escrever a palavra yupi.

quarta-feira

Lamentável

Hoje celebra-se o dia dos namorados. Vejo pouca gente a comemorar. Afinal, trata-se de um dia em que só os namorados é que comemoram. Natural. é o seu dia, um dia próprio, específico, especialmente concebido para.

Mas - e eis-me transtornado - e os juntos? E as curtes? E os amantes? E os casados? Marginalizar é feio e não se faz.

Quer dizer, tanta gente q'há praí cheia de vontade de oferecer um telemóvel 4G rosa que faz parzinho, frascos de perfume q'encaixam de verdade ou almofadinhas a dizer "és a minha fofa" e o calendário ocidental a impôr limitações.

terça-feira

Pelo sim pelo não



Sim porque isto, não porque aquilo. Quando não tenho nada para fazer e estou para o aborrecido, divirto-me, quase à brava, a ouvir pessoas a discutir acaloradamente sobre o aborto. "A vida começa no momento X". "Não é nada, é no ponto Y"; "As mulheres abortam porque devem ter direito a controlar a sua vida"; "As mulheres abortam porque não têm condições, duh"; "Parvo". "Estúpido". E de maneiras que é um referendo que vai mudar muita coisa. Quando o SIM ganhar terá lugar todo um vasto conjunto de alterações.

1. "Antes havia abortos. Depois passarão a haver interrupções voluntárias da gravidez".

Consideração pessoal: A terminologia trará elegância à nossa língua. Quando vemos uma pessoa feia dizemos dasagradavelmente que é um aborto e não uma interrupção voluntária da gravidez. Injusto. Um ponto para o SIM.

2. Antes, na maioria dos casos, a mulher era criminosa e tinha tendência para desenvolver sentimentos de culpa. Depois, passarão apenas a ter tendência para desenvolver sentimentos de culpa.

Consideração pessoal: Aaah - alívio! É um peso muito menor. Dois pontos para o SIM.

3. Antes, a maioria dos médicos recusava-se a fazer abortos, invocando o Juramento de Hipócrates. Depois, a maioria dos médicos passou recusar-se a fazer interrupções voluntárias da gravidez, invocando o Juramento de Hipócrates.

Consideração pessoal: Por um lado, para além de se poder abortar em caso de perigo de vida da grávida e do feto, uma mulher que entenda não ter um filho naquele momento estará salvaguardada perante a lei e a sociedade, até às 10 semanas. Por outro, os médicos do sector público recusam-se quase todos a praticar o aborto, por vezes mesmo nos casos extremos. Os dois têm direito a fazer o que a consciência lhes manda. A lei existirá. As filas de espera também. Empate.

4. Antes havia centros de saúde, clínicas e hospitais. Depois, passarão a haver "estabelecimentos de saúde legalmente autorizados"

Consideração pessoal: As mulheres de classes socio-económicas desfavorecidas que entendam abortar poderão não apenas recorrer ao serviço nacional de saúde como também a "estabelecimentos de saúde legalmente autorizados". Ou seja, privados. O público oferece a possibilidade legal, mas demorará na execução efectiva. O privado resolve, mas é caro. Toda uma escolha: ou privado, ou privado. Um ponto para o NÃO.

5. Antes, era preciso ir a Espanha. Depois, passa a ser possível também em Portugal.

Consideração pessoal: Há comodidade para o utente. Claramente, três pontos para o SIM.

quinta-feira

Meta aspiracional

Gostava me tornar num novo-rico. Por um lado, ainda sou novo e tenho hipóteses. Por outro, a torneira dos fundos perdidos da UE já secou. Algo me diz que isso pode constituir um entrave à realização deste meu sonho...

Mas era bom. Não tinha que trabalhar muito e teria gostos simples. Música pimba. Futebol Clube do Porto. Ucranianas. As pessoas podiam rir-se de mim mas eu é que tinha o dinheiro. E jipes.

Eu seria um tipo ambicioso. Estou a imaginar-me a ir ao banco dar a entrada para a vivenda. Qualquer pessoa de sucesso tem uma vivenda. Tudo bem que eu sou um tipo para o sub-urbano, mas o crédito existe para quê? Quando olhamos para os vizinhos e vemos que eles compraram uma vivenda, é de uma pessoa ficar com inveja.

Comandaria os meus próprios negócios. Os meus empregados seriam todos corridos a recibos verdes para poupar nos salários e ainda ganhar algum no IRS. Investir? Claro. A fachada do armazém de construção civil tem que se mudar de tempos a tempos.

Que momentos de lazer eu teria. Levaria a filharada e a mulher comigo e faria viagens no meu jipe, onde apreciaria, de olhos fechados, a sonoridade introspectiva de Tony Carreira. E não me inibiria de evacuar mesmo junto à estrada se a vontade apertasse: a família ficava no carro; a porta ficava aberta de modo a difundir a música; e eu, ali, junto aos arbustos, num momento de descontracção. Era diferente.

Dizem que os novos-ricos têm mau gosto. Pois eu faria gala de o mostrar. Para que é que serve a cultura? Para conhecer mais? E para que é que isso serve? Eu é que teria o dinheiro...

Queria lá eu saber da presidência portuguesa da União Europeia" no 2º semestre de 2007. Queria lá eu saber do referendo do aborto. Queria lá eu saber do risco de estrangulamento em 2014 da Caixa Geral de Aposentações. Eu queria era sossego. Os tipos que andam sempre preocupados com o Conhecimento estão sempre tesos. Os intelectuais: todos pobres.

E aos fins de semana, convidava uns amigos para ver a minha casa de família de modo a que pudessem constatar o quanto eu tinha progredido socialmente desde a semana passada: que tinha mudado de jipe, que estava a instalar uma piscina e que tinha um plasma para ver os jogos do Porto na SportTV.

E aí sim, eu tornar-me-ia numa pessoa extraordinária.

quarta-feira

Também eu tenho um best of?



Período de recolhimento


Este blogue deixou de existir por alguns meses. É que passei por toda uma fase espiritual. Uma fase profunda. Uma fase de resolução de todo um conjunto de dissonâncias internas, vá.

É que eu pensava que eu era uma pessoa mais ou menos, de nacionalidade portuguesa, que ia ganhando a vida a escrevinhar e que até estava de saúde. Depois de ter visto os links abaixo, pus em causa a minha própria auto-imagem. Dou por mim e se calhar afinal sou músico, brasileiro, uma grande pessoa, e já morri.

Quem sou eu? O video.
Quem sou eu? A foto.
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