Estupidologia s. f. - Ciência que estuda a auto-repressão voluntaria da razão e dos sentimentos; interesse pragmatico-investigativo pelos non-sense da vida em colectividade; teoria matemática que defende existir uma relação de proporção directa entre a sensação de felicidade e a acção de mecanismos primários do homem; designação do maior, mais antigo e poderoso lobbie do mundo; empresa familiar de farturas; nome de um blog

sexta-feira

Momento de poesia II

Tudo isto é pura convenção



Tudo isto é uma convenção.
Os cheiros, por exemplo.
Quem nos diz a nós que o cheiro a merda é mau?

Isto é pura convenção.
Aprendemos na escola e pela família a dizer:
- Este cheiro é agradável.
- Este cheiro é horrível.
Mas, agora, depois de adultos, podemos revoltar-nos.

Por mim declaro, a partir de hoje, que o cheiro a merda é
maravilhoso.
É uma declaração importante.
O cheiro a merda é m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o.
L'odeur à la merde c'est merveilleux.
The smell of merde it's wonderful.

(...)

Gonçalo M. Tavares

Momento de poesia I

Um produto chamado Produzir



Trabalho numa fábrica que produz um produto chamado
PRODUZIR.
- O que é que tu fazes - perguntam-me muitas vezes.
- Eu produzo!
- E o que é que tu produzes?
- Eu produzo um produto, está claro.
E depois, quando explico que produzo o produto Produzir,
eles ficam surpreendidos, mas acabam por me dar os parabéns.



Gonçalo M. Tavares

quinta-feira

Dúvida de gramática



Tefenar ou tufenar?

Não vejo razão para tanta celeuma


Disse Ang Lee em resposta às "vozes do preconceito" que se levantaram em torno do filme Brokeback Mountain, a história de dois cobóis que se apaixonam:

«Pois que sim, que se trata de um filme que testa os "limites ilimitados" do Amor, que pretende falar do Amor de forma universal e sem preconceitos, portanto não vejo razão para tanta celeuma».

Claro que o que pretendia não era que o filme ressaltasse no meio do ruído competitivo de tanto cinema. Não. Alguma vez? Evidente que, qual empreendimento humanista e caridoso, era isso de combater os - ai, como é que se diz? - preconceitos.

Por isso, pergunto eu: para quando a sequela?

Aventando como seria: eles separavam-se porque um deles conhecia no decurso da sua vida outro ser especial. Um ser que - como dizer? - o incendiava de paixão. A tal ponto que um dia, ele decidiria ter uma conversa de cobói para cobói com o seu companheiro.

« - Amor, temos que falar sobre a nossa relação»; « - Que foi? Há outra pessoa?»; «- A Mimosa do celeiro, a mais malhadinha»; «- Como pudeste? Com uma vaca? Seu tarado»; « - Mas eu, mas-mas-mas... mas eu gosto dela...», e enfim, seguir-se-ia toda uma trama dramática, até à resolução do conflito interior do pobre cobói reprimido pelo mundo: a cena do fogoso beijo de paixão, do beijo do cobói e da vaca.

Do binómio homem-homem passar-se-ia para o binómio homem-vaca.

Nisto, dirão vocês, pessoas perfeitamente integradas no seio da sociedade contemporânea, enfim, com elevados índices de adaptação às normas sociais vigentes: «Ai que horror. Uma vaca? Ai que horror. Mas que javardice vai nessa cabeça? Que sem-vergonhiçe barata. E [ressaltaria entretanto a vossa veia cinéfila] não se trataria isso da sujeição de uma personagem humana a uma situação limite com níveis de inverosimilhança demasiado elevados?».

E eu responderia, como Ang Lee : «Pois que sim, que se trata de um filme que que testa os "limites ilimitados" do Amor, que pretende falar do Amor de forma universal e sem preconceitos, portanto não vejo razão para tanta celeuma».

sexta-feira

Nossa Senhora de Fátima

vs.


«Quem vier, morre.»

Luís Filipe Vieira, 10.03.06, Paris

Vamos rir?

Mas assim à parva, hã?

- Onde é que fica o Canal da Mancha?
- Não sei, só tenho quatro canais...


Malucos do Riso, 03.03.2006
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