Estupidologia s. f. - Ciência que estuda a auto-repressão voluntaria da razão e dos sentimentos; interesse pragmatico-investigativo pelos non-sense da vida em colectividade; teoria matemática que defende existir uma relação de proporção directa entre a sensação de felicidade e a acção de mecanismos primários do homem; designação do maior, mais antigo e poderoso lobbie do mundo; empresa familiar de farturas; nome de um blog

domingo

A foto de Freitas

«Ai agora és ministro? Ai é? Ai é? Ai é?»

Depois de o fundador ter aceite o convite para integrar o novo governo, o CDS-PP decidiu enviar o retrato de Freitas do Amaral para o Largo do Rato.

Dadas as circunstâncias, independentemente das preferências partidárias de cada um, todos percebemos minimamente a atitude de tirar da parede o rosto do fundador do CDS.

Aliás, convidado pelos jornalistas a explicar o gesto, disse fundamentadamente Mota Soares, secretário-geral do CDS-PP: «(...) muita juventude [do partido] (...) ontem perguntava por que é que temos na nossa sede o retrato de uma pessoa que (...) agora é ministro do PS». Por conseguinte, defende, «não faz sentido que esteja em lugar de destaque no CDS».

Ok. Tirar da parede. Certo. Remover o retrato. Aceita-se. Agora, explique-nos por favor a parte do enviar por correio a fotografia para o Largo do Rato.




Fig.1 - Membro da Juventude Popular: «Ai é? Ministro? Ai é?»


quarta-feira

Tecnocentrismos

2. Ir ao mecânico

Uma pessoa leva o carro ao mecânico para - sei lá - mudar o óleo e, quando um gajo, pá, vai buscar o respectivo, vem de lá ele e diz:

- Ora são 750-eur, sáxavor.

- Tanto? - pensa o comum mortal. Só por me mudarem o raio do óleo...?

- Ó meu amigo, ist'é assim: tinha aqui isto numa lástima. e eu, como cigadão - pá - preocupado com a sua integridade física, hã?, não podia permitir que saísse da oficina com ist'assim... hã?

- ...

- Olhe, p'ra já, hã?, tinha aqui o abdutor gasto e tivémos que por um novo. Depois, o menisco de ventilação, hã? já estava a romper a membrana conjuntiva. A rótula de admissão estava com folga. As omoplatas do catalizador, hã?, já estavam assimétricas, o liquido de refrigeração teve que ser trocado, porque - ó meu amigo - com os ligamentos dos travões assim e habilitava-se a uma luxação do cóxis da embriagem, hã?. Ó meu amigo, a gente aqui semos profissionais, hã?

- ...

- ... e ...e... e alguma vez viu o estado em q'tinha as vértebras da transmissão ? Mas iss'era dantes. Q'agora tem isto - ó!, ó! - num brinquinho. pod'ir descansadinho q'...

Tecnocentismos

1. Lesão


- ...e já chegou aqui à sala de imprensa o senhor do Departamento Médico do Desportivo Ramaldense, que nos poderá adiantar algo mais sobre o estado do defesa esquerdo da equipa visitante. Vamos ouvi-lo.
- ... a entrada do atleta adversário sobre o Rogenildson resultou numa luxação no diferencial esquerdo e do colector da rótula direita do nosso atleta.

- Quanto tempo terá que ficar parado?
- O Departamento Médico tem estado a avaliar a situação clínica do atleta, estando neste momento a proceder a uma revisão mais aprofundado. Não posso apontar dados concretos a esse respeito, até porque não temos ainda noção da real condição física do Rogenildson.

- Quer isso dizer que o quadro clínico pode ser ainda mais grave...
- Bem... o Rogenildson está com os êmbolos um pouco inflamados, pelo que temos ainda algumas suspeitas de que a ponteira possa estar deslocada devido ao movimento de rotação da cambota que o atleta efectuou depois de ter saltado com o adversário.

- Vimos o atleta nas imagens a queixar-se muito do radiador...
- Apresenta uma microfissura, mas nada de grave. Dois ou três dias e estará recuperado.

- E agora? Como se procederá a recuperação de Rogenildson?
- Bom, primeiro, desde já isolar-lhe os colectores com gesso. Quando der sinais de recuperação, então aí sim, terá que fazer exercícios regulares de articulação do diferencial, à parte do grupo de trabalho e, se possível, também do eixo de cames.


Entrevista do Correio da Manhã a Paula Bobone



Correio da Manhã - Era capaz de entrar no "Big Brother"?

Paula Bobone - Evidente que não... a menos que os restantes fossem pessoas com quem me identificasse realmente.

Evidente que não. A menos que coiso, evidente que não.

terça-feira

Uma história antes de ir fazer ó ó

O Gato dos Chinelos de Enfiar no Dedo


Era uma vez um taxista que tinha três filhos.

Certo dia, quando sentiu que estava quase a morrer, quase a morrer, quase a morrer, chamou-os ao seu leito para lhes dizer que ia repartir por eles todos os seus bens.

Ao mais velho deu o Mercedes 220 CDi, ao do meio deu os fios de ouro, os aneis, as pulseiras e a unhaca, que ainda conservava um leve aroma a torresmos do Cais do Sodré, e ao mais novo deu o gato.

De tão pouco que lhe calhou, ficou muito, muito triste. Não é que os bens materiais lhe interessem - não!, jamais, até porque se assim fosse, ele não podia ir para o céu. Mas - co'a breca -, a porra de um gato?

O pai foi para o céu. Quando o filho mais novo foi buscar o gato, o animal vira-se para ele e diz, como quem pede uma torrada e um galão:

- Dá-me uns chinelos de enfiar no dedo e um saco de plástico.

O rapaz ficou escanifobético. Ele já tinha ouvido dizer que o Manuel Monteiro tinha um partido, mas um gato a falar era novidade. A parvalheira era tal que obedeceu estupefacto ao seu pedido, tanto que a seguir desatou a imitar - assim do nada - a o novo clip da J Lo. Inclusivamente consta que pegou na vassoura da marquise e fez de conta que era uma bengala.

No dia seguinte, lá foi à sua vidinha de pessoa humilde, e aproveitou para satisfazer os pedidos do gato. Depois de ter ido ao pãozinho, ao peixinho, à frutinha, ao leitinho e ao Lucky Strike, passou pelos ciganos para comprar uns chinelos Zico. Depois, deu um saltinho ao Minipreço a ver se conseguia desenrascar um saco de plástico às senhoras da caixa.

- Bom dia, Dona Leocádia. Olhe, posso tirar só um saquinho ... se fáxavôr?

- Tire, tire - disse a senhora do supermercado com aquele sorriso cândido, fraterno, bondoso, enquanto pensava «Sai ao pai, é mesmo forreta o c*br** do filho do taxista!»


O filho do taxista regressou a casa. O gato lá calçou o seu chinelinho bem bonito - seria a imagem perfeita se tivesse as unhas dos pés cortadas -, pegou no saco - um pouco transtornado, é certo, porque os sacos do Minipreço diz-se que não duram nada, que não duram nada, que não duram nada e que começam a descolar na parte de baixo e enquerquilham bastante nas pegas, de maneiras que o gato ficou um tanto ou quanto aborrecido - e trá-lálá, trá-lalálá foi bairro fora.

Como era um miau-miau muito maroto, muito esperto, muito traquina, não demorou muito a roubar um auto-rádio, que pôs dentro do saco.

Com o pesado saco na mão - porque o gato também tinha conseguido ficar com a caixa de CD's -, dirigiu-se a casa de um respeitado empreiteiro de obras lá do bairro, até porque era ele que dava emprego a metade do bairro e disse:

- Sôr Engenheiro, venho da parte do meu patrão, o Dr.Carabás, e de maneiras que «le» trago este lindo auto-rádio para a sua Ford Transit de 9 lugares de presente.

O empreiteiro ficou muito, muito impressionado e contente com aquela bonita atitude e respondeu:

- Diz ao teu patrão que lhe agradeço muito.

Daí em diante o gato repetiu aquele gesto várias vezes, levando vários presentes ao empreiteiro e dizendo sempre que era uma oferta do seu "patrão".

Um dia, diz o gato ao dono:

- Senhor, tome banho neste rio que eu - mesmo só naquela, da amizade - vou mudar a sua vida.

O gato esperou que a Ford Transit de 9 lugares de engajar pessoal para as obras passasse junto ao rio onde o seu dono tomava banho e pôs-se a gritar como se não houvesse amanhã:

- Ajudem-no! Socorro! Ai. Socorro! Ui. O meu patrão, o Dr. Carabás, está a afogar-se! Oh. Martírio. Oh, mil infâmias. Oh, terrível destino.

O empreiteiro parou imediatamente a Ford Transit de 9 lugares e ajudou-o logo, dando-lhe belas roupas e convidando-o a passear com ele e com a filha.

O gato - muito maroto, muito esperto, muito traquina - de surra, desatou então a correr à frente da carrinha. Sempre que via alguém, pedia-lhes que dissessem que trabalhavam para o Dr.Carabás.

O empreiteiro estava cada vez mais impressionado!

O gato chega por fim ao castelo do gigante, onde todas as coisas eram grandes e magníficas. Ele era o jardim, ele era a garagem, ele era o sofá, ele era o ecrã plasma do tamanho da parede, ele era o PowerMac a 4GHz, ele era a sanita, ...

De maneiras que o gato pediu para ser recebido pelo gigante. Pergunta-lhe:

- É verdade que consegues transformar-te num animal qualquer?

- É! disse o gigante.

Então o gato pediu-lhe - sáxavôr, porque estamos perante um gato, pá, que, sim senhor, é bem inducado - que se transforme num rato. E plim.

Nisto, o gato saltou para cima do rato e, e, e, e, e - catrapimba - papou-o. Clep, clep, ai que monstro tão bom, e não sei quê, e nisto, o empreiteiro, a princesa e o filho do taxista, o "Dr.Carabás" chegam ao castelo do gigante, onde são recebidos pelo gato:

- Sejam bem vindos à propriedade do meu amo!, diz o gato, por entre dois arrotos.

O empreiteiro nem queria acreditar no que os seus olhos viam.

- Ena. Tanta riqueza. estou impressionado. Tem que casar com a minha filha, Dr. Carabás - diz o empreiteiro.

E foi assim que, graças ao seu gato, o filho de um taxista casou com a filha do empreiteiro.

Era feia que nem vos digo.


FIM

Citações clássicas V



«Apetece-me trabalhar e ser remunerada por isso. »

Lili Caneças


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