Estupidologia s. f. - Ciência que estuda a auto-repressão voluntaria da razão e dos sentimentos; interesse pragmatico-investigativo pelos non-sense da vida em colectividade; teoria matemática que defende existir uma relação de proporção directa entre a sensação de felicidade e a acção de mecanismos primários do homem; designação do maior, mais antigo e poderoso lobbie do mundo; empresa familiar de farturas; nome de um blog

quarta-feira

Tecnocentrismos

2. Ir ao mecânico

Uma pessoa leva o carro ao mecânico para - sei lá - mudar o óleo e, quando um gajo, pá, vai buscar o respectivo, vem de lá ele e diz:

- Ora são 750-eur, sáxavor.

- Tanto? - pensa o comum mortal. Só por me mudarem o raio do óleo...?

- Ó meu amigo, ist'é assim: tinha aqui isto numa lástima. e eu, como cigadão - pá - preocupado com a sua integridade física, hã?, não podia permitir que saísse da oficina com ist'assim... hã?

- ...

- Olhe, p'ra já, hã?, tinha aqui o abdutor gasto e tivémos que por um novo. Depois, o menisco de ventilação, hã? já estava a romper a membrana conjuntiva. A rótula de admissão estava com folga. As omoplatas do catalizador, hã?, já estavam assimétricas, o liquido de refrigeração teve que ser trocado, porque - ó meu amigo - com os ligamentos dos travões assim e habilitava-se a uma luxação do cóxis da embriagem, hã?. Ó meu amigo, a gente aqui semos profissionais, hã?

- ...

- ... e ...e... e alguma vez viu o estado em q'tinha as vértebras da transmissão ? Mas iss'era dantes. Q'agora tem isto - ó!, ó! - num brinquinho. pod'ir descansadinho q'...

Tecnocentismos

1. Lesão


- ...e já chegou aqui à sala de imprensa o senhor do Departamento Médico do Desportivo Ramaldense, que nos poderá adiantar algo mais sobre o estado do defesa esquerdo da equipa visitante. Vamos ouvi-lo.
- ... a entrada do atleta adversário sobre o Rogenildson resultou numa luxação no diferencial esquerdo e do colector da rótula direita do nosso atleta.

- Quanto tempo terá que ficar parado?
- O Departamento Médico tem estado a avaliar a situação clínica do atleta, estando neste momento a proceder a uma revisão mais aprofundado. Não posso apontar dados concretos a esse respeito, até porque não temos ainda noção da real condição física do Rogenildson.

- Quer isso dizer que o quadro clínico pode ser ainda mais grave...
- Bem... o Rogenildson está com os êmbolos um pouco inflamados, pelo que temos ainda algumas suspeitas de que a ponteira possa estar deslocada devido ao movimento de rotação da cambota que o atleta efectuou depois de ter saltado com o adversário.

- Vimos o atleta nas imagens a queixar-se muito do radiador...
- Apresenta uma microfissura, mas nada de grave. Dois ou três dias e estará recuperado.

- E agora? Como se procederá a recuperação de Rogenildson?
- Bom, primeiro, desde já isolar-lhe os colectores com gesso. Quando der sinais de recuperação, então aí sim, terá que fazer exercícios regulares de articulação do diferencial, à parte do grupo de trabalho e, se possível, também do eixo de cames.


Entrevista do Correio da Manhã a Paula Bobone



Correio da Manhã - Era capaz de entrar no "Big Brother"?

Paula Bobone - Evidente que não... a menos que os restantes fossem pessoas com quem me identificasse realmente.

Evidente que não. A menos que coiso, evidente que não.

terça-feira

Uma história antes de ir fazer ó ó

O Gato dos Chinelos de Enfiar no Dedo


Era uma vez um taxista que tinha três filhos.

Certo dia, quando sentiu que estava quase a morrer, quase a morrer, quase a morrer, chamou-os ao seu leito para lhes dizer que ia repartir por eles todos os seus bens.

Ao mais velho deu o Mercedes 220 CDi, ao do meio deu os fios de ouro, os aneis, as pulseiras e a unhaca, que ainda conservava um leve aroma a torresmos do Cais do Sodré, e ao mais novo deu o gato.

De tão pouco que lhe calhou, ficou muito, muito triste. Não é que os bens materiais lhe interessem - não!, jamais, até porque se assim fosse, ele não podia ir para o céu. Mas - co'a breca -, a porra de um gato?

O pai foi para o céu. Quando o filho mais novo foi buscar o gato, o animal vira-se para ele e diz, como quem pede uma torrada e um galão:

- Dá-me uns chinelos de enfiar no dedo e um saco de plástico.

O rapaz ficou escanifobético. Ele já tinha ouvido dizer que o Manuel Monteiro tinha um partido, mas um gato a falar era novidade. A parvalheira era tal que obedeceu estupefacto ao seu pedido, tanto que a seguir desatou a imitar - assim do nada - a o novo clip da J Lo. Inclusivamente consta que pegou na vassoura da marquise e fez de conta que era uma bengala.

No dia seguinte, lá foi à sua vidinha de pessoa humilde, e aproveitou para satisfazer os pedidos do gato. Depois de ter ido ao pãozinho, ao peixinho, à frutinha, ao leitinho e ao Lucky Strike, passou pelos ciganos para comprar uns chinelos Zico. Depois, deu um saltinho ao Minipreço a ver se conseguia desenrascar um saco de plástico às senhoras da caixa.

- Bom dia, Dona Leocádia. Olhe, posso tirar só um saquinho ... se fáxavôr?

- Tire, tire - disse a senhora do supermercado com aquele sorriso cândido, fraterno, bondoso, enquanto pensava «Sai ao pai, é mesmo forreta o c*br** do filho do taxista!»


O filho do taxista regressou a casa. O gato lá calçou o seu chinelinho bem bonito - seria a imagem perfeita se tivesse as unhas dos pés cortadas -, pegou no saco - um pouco transtornado, é certo, porque os sacos do Minipreço diz-se que não duram nada, que não duram nada, que não duram nada e que começam a descolar na parte de baixo e enquerquilham bastante nas pegas, de maneiras que o gato ficou um tanto ou quanto aborrecido - e trá-lálá, trá-lalálá foi bairro fora.

Como era um miau-miau muito maroto, muito esperto, muito traquina, não demorou muito a roubar um auto-rádio, que pôs dentro do saco.

Com o pesado saco na mão - porque o gato também tinha conseguido ficar com a caixa de CD's -, dirigiu-se a casa de um respeitado empreiteiro de obras lá do bairro, até porque era ele que dava emprego a metade do bairro e disse:

- Sôr Engenheiro, venho da parte do meu patrão, o Dr.Carabás, e de maneiras que «le» trago este lindo auto-rádio para a sua Ford Transit de 9 lugares de presente.

O empreiteiro ficou muito, muito impressionado e contente com aquela bonita atitude e respondeu:

- Diz ao teu patrão que lhe agradeço muito.

Daí em diante o gato repetiu aquele gesto várias vezes, levando vários presentes ao empreiteiro e dizendo sempre que era uma oferta do seu "patrão".

Um dia, diz o gato ao dono:

- Senhor, tome banho neste rio que eu - mesmo só naquela, da amizade - vou mudar a sua vida.

O gato esperou que a Ford Transit de 9 lugares de engajar pessoal para as obras passasse junto ao rio onde o seu dono tomava banho e pôs-se a gritar como se não houvesse amanhã:

- Ajudem-no! Socorro! Ai. Socorro! Ui. O meu patrão, o Dr. Carabás, está a afogar-se! Oh. Martírio. Oh, mil infâmias. Oh, terrível destino.

O empreiteiro parou imediatamente a Ford Transit de 9 lugares e ajudou-o logo, dando-lhe belas roupas e convidando-o a passear com ele e com a filha.

O gato - muito maroto, muito esperto, muito traquina - de surra, desatou então a correr à frente da carrinha. Sempre que via alguém, pedia-lhes que dissessem que trabalhavam para o Dr.Carabás.

O empreiteiro estava cada vez mais impressionado!

O gato chega por fim ao castelo do gigante, onde todas as coisas eram grandes e magníficas. Ele era o jardim, ele era a garagem, ele era o sofá, ele era o ecrã plasma do tamanho da parede, ele era o PowerMac a 4GHz, ele era a sanita, ...

De maneiras que o gato pediu para ser recebido pelo gigante. Pergunta-lhe:

- É verdade que consegues transformar-te num animal qualquer?

- É! disse o gigante.

Então o gato pediu-lhe - sáxavôr, porque estamos perante um gato, pá, que, sim senhor, é bem inducado - que se transforme num rato. E plim.

Nisto, o gato saltou para cima do rato e, e, e, e, e - catrapimba - papou-o. Clep, clep, ai que monstro tão bom, e não sei quê, e nisto, o empreiteiro, a princesa e o filho do taxista, o "Dr.Carabás" chegam ao castelo do gigante, onde são recebidos pelo gato:

- Sejam bem vindos à propriedade do meu amo!, diz o gato, por entre dois arrotos.

O empreiteiro nem queria acreditar no que os seus olhos viam.

- Ena. Tanta riqueza. estou impressionado. Tem que casar com a minha filha, Dr. Carabás - diz o empreiteiro.

E foi assim que, graças ao seu gato, o filho de um taxista casou com a filha do empreiteiro.

Era feia que nem vos digo.


FIM

Citações clássicas V



«Apetece-me trabalhar e ser remunerada por isso. »

Lili Caneças


«...você vem p'ra mim...»

Marco Paulo, Taras e Manias



Quando...
você vem com essa cara
de menina levada para a brincadeira

Dá-me
um arrepio na pele
sinto água na boca
para ficar com você.

Você não tem um pingo de vergooonha
e todo homem sonha
ter alguém assim,
realizando minhas fantasias,
taras e manias,
você vem p'ra mim.

Uma lâide na mesa
uma looouca na cama,
na maior safadêêêza
você diz que me ama.

[Sim. Que me ama, que me ama.]

E na minha cabeça
desvario e loucura,
quando você começa
ninguém mais a segura

[Sim. Que ninguém a segura, que ninguém a segura. Agora todos.]

E mexe, remexe, se enconsta, se enrosca,
se abre, se mostra pra mim.
Me agarra, me morde, me arranha,
não muda que eu queeeeero você sempre assim.

[Mais uma]

E mexe, remexe, se enconsta, se enrosca,
se abre, se mostra pra mim.
Me agarra, me morde, me arranha,
não muda que eu queeeeero você sempre assim

[... ]

E mexe, remexe, se enconsta, se enrosca
Se abre, se mostra pra mim.

Me agarra, me morde, me arranha,
não muda que eu queeeeero você sempre assim.


Marco Paulo - Taras e Manias

segunda-feira

Um supônhamos

Zé Dias liga para o Opinião Pública da SicNotícias

As legislativas 2005 e a problemática dos votos em branco

- 'Tou sim?

- Estou sim, boa tarde, o seu comentário.

- 'Tá lá?

- Estou sim, boa tarde, o seu comentário. Brevemente, por favor.

- É q'táss'a óvir muito mal. Serei muito breve. Olhe, antes de mais gostava de felicitar o vosso canal, que é um bom canal, o senhor apresentador e a sua equipa que faz todúsdías - pá - um xalente trabalho, pá, e de maneiras que gosto muito de vos óvir.

- O seu comentário.

- No que á questão que coloca diz respeito, gostaria de dizer o seguinte: ...

- Peço-lhe que seja breve.

- ... é qu'eu, hã?, sou um dos 103555 cidadãos que votaram em branco no dia 20. Hoje dei por mim a pensar: atão mas... quem defende os nossos interesses? Onde pára a democracia? ... Hmm? Onde pára a justiça neste país? Hmm? E eu pergunto aos governantes: 'tão mas com'é "quié"? Assim o nosso país não involói.

- Qual é que acha que deveria ser a leitura política a retirar dos votos em branco?

- Olhe, por exemplo, ontem, hã?, o senhor Carlos Xistra esteve muito mal. e depois dizem q'o Porto que não anda ao colo, que não anda ao colo, que não anda ao colo... Olhe s'aquilo fosse lá fora... isto pa'le dezêr o seguinte: supônhamos que não havia aquilo do médito da Honta na contagem dos votos e naquilo de dar lá os mandatos aos deputados. Supônhamos que o médito era o disso lá da propircionilidade directa. É só um supônhamos.

- Muito rapidamente...

- Ora, tirando os quatro deputados que faltam eleger pelos círculos da emigração, tivémos 5544661 votos válidos em Portugal e Ilhas, que representam os 226 deputados até agora eleitos. Se dividirmos os votos válidos pelos deputados, chegamos á conclusão que cada 24534 votos correspondem a um mandato ganho.

- Sim.

- Acompanhais? Hã? Ora-atão, sabendo q'os votos brancos foram 103555, os votos em branco elegeriam 4 deputados..

- ...

- E eu pergunto: mas que é isto? Onde é que está a democracia representativa? Quem é que neste país, hã?, defende os interesses de quem votou em branco? 'Tá uma pessoa, ali, hã?, com tanto trabalhinho a... a... a... dobrar o seu voto em duas partes, com tanto cuidadinho e... e ... e depois é isto? Que é uma vergonha. Atão pois... Eles querem é o tacho. Ainda no outro dia a minha filha ...


- Senhor José dias, muito obrigado pela, er..., sua, er..., participação. A próxima chamada é da senhora Alice Matias, Técnica Auxiliar educativa, de Viseu. Boa tarde. o seu comentário...
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