A falsa democracia
- Apetece-te sair? E se fôssemos ao café?
- Sim, mas deve estar uma confusão.
- E se fôssemos ao cinema?
- Sim, mas a esta hora...
- E se fôssemos ao teatro?
- Sim, mas é tão caro.
- Então o que é que queres fazer?
- Ficar em casa.
Estupidologia s. f. - Ciência que estuda a auto-repressão voluntaria da razão e dos sentimentos; interesse pragmatico-investigativo pelos non-sense da vida em colectividade; teoria matemática que defende existir uma relação de proporção directa entre a sensação de felicidade e a acção de mecanismos primários do homem; designação do maior, mais antigo e poderoso lobbie do mundo; empresa familiar de farturas; nome de um blog
quinta-feira
terça-feira
Momento de poesia
«Meu amigo»
Meu amigo,
O que aconteceu foi muito simples,
meu amigo.
O que aconteceu é que
Eu chego aqui
E sou logo confrontado
Com cetras e determinadas situações.
Hã?
E eu digo:
«Atão mas coméquié?»
E os gajos:
«Ah, e tal»
E eu:
«"Ah, e tal", não, "Ah, e tal", não»
Então, eu venho lá de baixo
dizem-me que «não-sei-quê»
chego cá acima, afinal parece que não.
Em que é que ficamos?,
e os gajos
«ah, não sei que mais, e o camandro»
E eu:
«maaau!, queres ver que a gente tem que se chatear?»
Isto não pode ser.
Eu sou um gajo que 'tá aqui a trabalhar
- eu quero trabalhar; hã? - e dizem-me
(como eu aqui ouvi)...
dizem-me «ah, não sei quê»
Mas que é isto? Que é isto?
Isto não se faz. Porque eu sou um gajo
que me dou bem com toda a gente - que, sim senhor -
dou-me bem, por mim 'tá tudo bem
e fazem-me isto;.
e há gajos que andam praí,
fazem trinta por uma linha
e depois
passa tudo incólume...
Que é coisa que eu não percebo.
É que eu assim deixo de vir aqui
Vou fazer a minha vida para outros sítios.
Sítios onde inclusivamente malta me diz
«Epah, e tal, sim senhor».
É p'ra lá q'eu vou.
Deixo de vir aqui, pá. Hã?
Porque quando eu vejo que há aí palhaços pá
que falam-falam, falam-falam, falam-falam, pá
e eu não os vejo a fazer nada, pá,
fico chateado.
Concerteza que fico chateado.
Meu amigo,
O que aconteceu foi muito simples,
meu amigo.
O que aconteceu é que
Eu chego aqui
E sou logo confrontado
Com cetras e determinadas situações.
Hã?
E eu digo:
«Atão mas coméquié?»
E os gajos:
«Ah, e tal»
E eu:
«"Ah, e tal", não, "Ah, e tal", não»
Então, eu venho lá de baixo
dizem-me que «não-sei-quê»
chego cá acima, afinal parece que não.
Em que é que ficamos?,
e os gajos
«ah, não sei que mais, e o camandro»
E eu:
«maaau!, queres ver que a gente tem que se chatear?»
Isto não pode ser.
Eu sou um gajo que 'tá aqui a trabalhar
- eu quero trabalhar; hã? - e dizem-me
(como eu aqui ouvi)...
dizem-me «ah, não sei quê»
Mas que é isto? Que é isto?
Isto não se faz. Porque eu sou um gajo
que me dou bem com toda a gente - que, sim senhor -
dou-me bem, por mim 'tá tudo bem
e fazem-me isto;.
e há gajos que andam praí,
fazem trinta por uma linha
e depois
passa tudo incólume...
Que é coisa que eu não percebo.
É que eu assim deixo de vir aqui
Vou fazer a minha vida para outros sítios.
Sítios onde inclusivamente malta me diz
«Epah, e tal, sim senhor».
É p'ra lá q'eu vou.
Deixo de vir aqui, pá. Hã?
Porque quando eu vejo que há aí palhaços pá
que falam-falam, falam-falam, falam-falam, pá
e eu não os vejo a fazer nada, pá,
fico chateado.
Concerteza que fico chateado.
sexta-feira
Prémio «e-nós-tudo-bem» do mês
Estava eu descansadinho da vida neste fim de tarde, de perna traçada, a folhear o meu jornal enquanto saboreava deleitado o meu Joi de laranja pela palhinha até sorver o restinho do fundo, quando me deparo com uma notícia, no mínimo, importante.
Já todos ouvimos falar em «Professores» que dominam determinados métodos - científicos, logico - de adivinhação do futuro. Ele é o Orixá. Ele é a sina. Ele é o Tarot. Ele são as bolas de cristal. Ele são as cartas de Pokémon.
Mas há um que revolucionará a vida na Terra, tal como a conhecemos. Ler o futuro nas nalgas.
Fig.1 - «Nas nalgas?»
Precisamente. O cubano Jose Miranda, num programa da WJAN-TV, dirigido à comunidade latina da Flórida, procede - em directo! - á análise metódica dos glúteos dos seus convidados.
Segundo o proeminente cientista, não pode haver nada a cobrir a região uma vez que não tem um contacto que lhe permita uma observação clara das suas linhas.
De ponteiro em riste - uma cana de bambu untada em óleos aromáticos - e em pose séria, o senhor dirá concerteza nas suas apresentações:
- Ora, portanto, que temos aqui? Ele investiga, investiga, investiga, e...
- Hmm... constato que possui um índice de capilosidade elevado na região inter-gluteana. Terá muita sorte ao dinheiro se fizer investimentos a longo prazo no sector imobiliário num dia impar que tenha Plutão na casa de Caranguejo e um par de meias salmão pardo aos losangos.
O senhor, de olhar atento, lá continua a sua análise.
- ... E - olha, que vejo aqui? - ... um pelo encravado na sua região infra-gluteana esquerda, o que quer dizer que a sua cor da semana é o bêije e que o seu número da sorte é o 327,4. Hmmm... Noto também algumas vermelhidões que me permitem inferir com alguma segurança que não costuma ter problemas de dinheiro.»
O senhor, ao que parece, ganhou tal fama que agora recebe e-mails com rabos para analisar. Mas - mas - com uma condição. Têm que ser de alta resolução. Ah, pois!, porque senão, não dá «e quê».
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Salsa & Merengue
U-uh-uh. Uh-uh-un, dos, tres
Um pasito pa'fren-te, Ma-ri-a!
Ricky Martin
U-uh-uh. Uh-uh-un, dos, tres
Um pasito pa'fren-te, Ma-ri-a!
Ricky Martin
domingo
«Optimismo!, então?»
O lado positivo do tsunami
No dia 29 de Dezembro de 2004, a SIC Notícias passou uma reportagem onde entrevistavam portugueses que tinham partido depois da tragédia no sudoeste asiático para a Tailândia, mantendo a viagem agendada como se tudo estivesse como antes das trágicas mortes causadas pelo tsunami.
Dulce Ferreira, a entrevistada, disse à jornalista que e-coiso, e-não-sei-quê, que já tinha as férias marcadas, e tal, e - pérola número um - que não tinha ficado nada preocupada com o que tinha acontecido.
Era na boa porque a modos-que os pais, que entretanto já lá estavam, «le» tinham enviado um sms a dizer que diz-que tinha havido "uns tsunamis e umas coisas", mas que estavam bem.
Novamente questionada pela jornalista, desta vez acerca da situação das suas férias, dadas as novas circunstâncias, Dulce Ferreira respondeu - pérola número dois:
«(...) agora já não vou ter todas as condições de férias que iria ter se por acaso não tivesse acontecido nada disto. Por outro lado, estou contente, porque vejo as coisas mais ao natural, como elas são».
Sem dúvida, um exemplo a seguir em prol do combate ao pessimismo.
No dia 29 de Dezembro de 2004, a SIC Notícias passou uma reportagem onde entrevistavam portugueses que tinham partido depois da tragédia no sudoeste asiático para a Tailândia, mantendo a viagem agendada como se tudo estivesse como antes das trágicas mortes causadas pelo tsunami.
Dulce Ferreira, a entrevistada, disse à jornalista que e-coiso, e-não-sei-quê, que já tinha as férias marcadas, e tal, e - pérola número um - que não tinha ficado nada preocupada com o que tinha acontecido.
Era na boa porque a modos-que os pais, que entretanto já lá estavam, «le» tinham enviado um sms a dizer que diz-que tinha havido "uns tsunamis e umas coisas", mas que estavam bem.
Novamente questionada pela jornalista, desta vez acerca da situação das suas férias, dadas as novas circunstâncias, Dulce Ferreira respondeu - pérola número dois:
«(...) agora já não vou ter todas as condições de férias que iria ter se por acaso não tivesse acontecido nada disto. Por outro lado, estou contente, porque vejo as coisas mais ao natural, como elas são».
Sem dúvida, um exemplo a seguir em prol do combate ao pessimismo.
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